Ir para o conteúdo principal

Há alguns anos que venho a observar o quanto a nossa forma de comunicar pode ser mal interpretada e compreendida. Esta má interpretação é recorrente quando se trata de pessoas que se expressam fortemente na energia Yang: aquela força activa, objectiva, directa e que se posiciona com firmeza e clareza. Têm por norma um tom de voz mais alto e são muitas vezes classificados como frios, autoritários e arrogantes.

Nos tempos de hoje, em que as palavras de ordem são empatia, escuta activa e conexão emocional, todas elas, a meu ver, qualidades profundamente necessárias, percebo que muitas vezes pessoas com energia mais Yin: mais acolhedoras, introspectivas e sensíveis acabam a “olhar” para o Yang com desconfiança e por vezes até com julgamento.

“Tudo o que nos irrita no outro pode levar-nos a um entendimento de nós mesmos” – Carl Jung

Bem ao estilo de Jung, desafia-nos a refletir: até que ponto o que te incomoda no outro é realmente sobre ele? Não será apenas um espelho das nossas próprias crenças, medos ou sombras não reconhecidas?

Pessoas com energia Yang são naturalmente mais assertivas, dizem o que pensam com clareza, tomam decisões com rapidez, valorizam a objectividade e têm menos necessidade de explicar em detalhes os “porquês”. Isto soa muitas vezes mal e duro a quem comunica com mais emoção, com mais contexto e com mais rodeios como é o caso dos Yin’s.

Ser directo não é ser arrogante ou mal-educado, ser firme não é sinonimo de autoritarismo é procura de eficiência, não é ser insensível.

“Clareza é gentileza” – Brené Brown

Esta frase diz muito, muda a forma de vermos, porque muitas vezes o que parece ser rude é apenas uma tentativa genuína de ser claro. Essa clareza pode ser muito incomoda para que recebe a mensagem.

É comum o julgamento sobre os Yang’s ser mascarado como “devias ser mais suave”, “precisas aprender a ouvir mais” ou “estás sempre em modo de acção”.
Como tudo na vida acredito no equilíbrio e tem de haver espaço a isso, mas muitas vezes estes “conselhos” são tentativas inconscientes de enquadrar o outro num modelo mais aceitável, segundo a lupa de quem observa.

Se não julgássemos e tentássemos compreender? Quando uma pessoa Yin se sente desconfortável perante alguém Yang sugere-se a pergunta: o que me incomoda exactamente? Será que é falta de tacto ou será que vejo conforto naquela pessoa com uma força que eu não me permito a viver?

Os Yangs que com o tempo acabam a moldar-se para “caber”, vão engolindo a assertividade, suavizando a fala e pedindo desculpas por existir por norma acabam no marasmo profundo da frustração por não estarem a viver de acordo com as suas verdades. O que começa muitas vezes como uma tentativa de “ser mais leve” acaba em autoanulação.

Yang não é sinónimo de tóxico. Tóxico é exigir que alguém apaga a sua essência para agradar a outros.

Este rabisco não tem como objectivo ser uma defesa ao estilo Yang versus o Yin, pelo contrário acredito no poder da integração, a maturidade atinge-se quando conseguimos aprender a transitar e usar as duas forças com consciência e respeito.

Yin ensina o Yang a parar, acolher e aprofundar e o Yang ensina o Yin a agir, a decidir e a posicionar-se. Não há certo ou errado, há apenas diferentes formas de existir e todas merecem ser reconhecidas e respeitadas.

Como belos opostos que são dá direito a um verdadeiro ping-pong da vida em muitas outras vertentes além da expressão ou comunicação.
O Yang escuta com foco na resolução, na resposta e na acção já o Yin escuta para acolhimento, sentimentos e compreensão, o choque dá-se quando o Yang interrompe ou resolve rápido demais e o Yin sente que não foi realmente ouvido. Quando entramos no mental do Yang, eles assentam na lógica, nas estruturas, no controlo e estratégia e os Yins em intuição, fluidez, conexão e espontaneidade. O check mate surge porque o Yang tenta organizar o que o Yin decidiu deixar em aberto e o Yin por fim exalta-se com o excesso de rigidez do Yang. No ritmo, o Yang é rápido, direto ao objectivo e produtivo, o Yin mais lento, contemplativo e profundo, o duelo surge com o Yang a pressionar por respostas ou decisões e o Yin a precisar de mais tempo para processar. No que toca às emoções também temos frente a frente, o Yang procura reconhecimento, respeito e autonomia enquanto os nossos Yins vão e busca do acolhimento, segurança e empatia e o quadro termina com o Yang a parecer controlador e o Yin carente.

Agora pergunta-te; já te sentiste desconfortável perante alguém mais directo e firme?, costumam irritar-te as pessoas mais lentas, emocionais e sentimentais?
O que é que isso revela sobre as tuas próprias crenças e feridas?, costumas reprimir a tua energia Yang com receio de ser mal interpretado? ou será que costumas julgar os Yangs ou os Yins por não agirem como tu gostarias…

Pelos caminhos do auto-conhecimento, uma das maiores aprendizagens é permitir que o outro seja quem ele é, sem precisares deixar de ser quem tu és!

Yin ou Yang?
Ambos!

Tem um bom dia!

Deixe uma resposta